Os Cinco Heróis

Os Cinco herois antiterroristas Cubanos são Gerardo Hernández Nordelo, Ramón Labañino Salazar, Rene González Sehwerert, Antonio Guerrero Rodríguez e Fernando González Llort. São filhos, esposos, pais, irmãos, poetas, pilotos, universitários graduados e artistas. Três deles nasceram em Cuba e dois nos Estados Unidos. Três também lutaram em Angola durante a guerra contra o Apartheid.

Dos Cinco antiterroristas, atualmente quatro estão cumprindo longas condenações em prisões nos Estados Unidos.
O quinto, René González Schwerert, apesar de ter cumprido toda a pena em cárceres norte – americanos e ser libertado em 2012, foi obrigado a permanecer nos Estados Unidos por mais três anos, em regime de liberdade supervisada, com a justificativa de ter cidadania cubana - estadunidense.

Recentemente, e após a morte de seu pai, René obteve autorização para viajar a Cuba, medida permitida pela sua condição de liberdade supervisionada. E desde o dia 3 de maio de 2013 a juíza Joan Lenard, da Flórida, aceitou a solicitação apresentada pelo antiterrorista para modificar as condições da sua liberdade supervisionada e possibilitar sua permanência em Cuba, em troca da renúncia voluntária a sua cidadania estadunidense.

ENTENDA O CASO

Apesar de ser omitido pela grande mídia, desde o território estadunidense, ao Sul da Florida, Cuba foi alvo de mais ataques terroristas do que qualquer outro país no mundo, que resultaram na morte de 3.478 pessoas e deixaram 2.099 feridas. Com o consentimento de Washington, em cinco anos foram realizados 127 ataques, sem contar as invasões constantes do espaço aéreo da Ilha caribenha para lançar panfletos que, entre outras coisas, proclamavam: “A colheita de cana-de-açúcar está para começar. A safra deste ano deve ser destruída. [...] Povo cubano: exortamos cada um de vocês a destruir as moendas das usinas de açúcar”.

Esses grupos também sequestraram aviões e infiltraram terroristas na Ilha para ingressar explosivos, envenenar a água e colocar fogo em escolas infantis e introduzir a dengue hemorrágica no País.

Em 1976 duas bombas explodiram a bordo de um avião da Cubana de Aviação, causando a morte de 73 pessoas, a maioria integrante da equipe juvenil cubana de esgrima, que retornava da Venezuela após receber a maioria de medalhas de ouro em um campeonato naquele País. As bombas foram colocadas em Barbados, por terroristas de origem cubana, Orlando Bosch (já falecido) e Luis Posada Carriles, ligados a Agencia Central de Inteligência (CIA), dos Estados Unidos. Carriles mora em Miami, não pagou pelo seu crime e até hoje é mantido pelos sucessivos governos estadunidenses.

No início dos anos 90, após a queda do Bloco Socialista, Cuba começou a desenvolver a industria turística. Imediatamente grupos de direita dos dissidentes cubanos iniciaram uma série de ataques violentos contra instalações turísticas, aeroportos, etc., para desestimular as pessoas que planejavam visitar a Ilha. Em 1997 uma bomba explodiu no Hotel Copacabana, em Havana, causando a norte de Fabio De Celmo, um joven turista italiano. As autoridades cubanas prenderam o salvadoreño Raúl Ernesto Cruz León, que confessou haver recebido milhares de dólares de grupos do exílio anti – Cuba para colocar as bombas no local.

Neste contexto a história dos Cinco e a sua luta contra o terrorismo se intensifica. Gerardo Hernández, Fernando González, Ramón Labañino, Antonio Guerrero e René González faziam parte da Rede Avispa - criada por Cuba na década de 1990 – e foram enviados aos Estados Unidos para se infiltrar entre os grupos extremistas cubano – estadunidenses radicados em Miami e buscar informações para evitar novos ataques planejados contra a Ilha.

Em trinta ocasiões Havana formalizou protestos à Washington sem obter respostas. Em 1998 Fidel Castro encaminhou, através do escritor colombiano Gabriel García Márquez, um megadossiê endereçado ao FBI e ao governo Bill Clinton, denunciando as organizações terroristas do sul dos EUA, e pedindo que cessassem os ataques contra o governo e a população cubana. Eram 230 páginas, cinco fitas de vídeo e oito de áudio relatando minuciosamente as informações.

O FBI encaminhou representantes à Ilha e de boa fé o governo cubano repassou outras informações na esperança de receber apoio.

Surpreendentemente os agentes cubanos foram alvo das ações do governo, da justiça e da mídia estadunidenses.

O que fez o FBI ao retornar aos Estados Unidos? Em 12 de setembro de 1998 prendeu os Cinco e deixou livres terroristas como o cubano-venezuelano Luis Posada Carriles, ex-agente CIA que atuou durante décadas e com a conivência de Washington para desestabilizar governos de esquerda na América Latina.

Com a prisão teve inicio a mais longa e cruel farsa judicial que impressiona, inclusive, grandes juristas dos Estados Unidos, além de organismos como a Anistia Internacional e o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Detenções Arbitrárias.

A partir do momento em que foram presos, jornais da Flórida se referiam a eles como “espiões”, motivo pelo qual a Justiça cubana e os advogados dos Cinco, nos Estados Unidos, consideraram prejudicial e manipuladora a cobertura que a imprensa norte-americana fez do caso. Juridicamente há diferença entre fazer espionagem – recolher dados sigilosos do governo, ameaçando a segurança nacional - e ser agente de inteligência buscando informações apenas em organizações anticastristas.

Além de uma longa e espantosa detenção preventiva de 17 meses, antes dos processos irem para o Tribunal os Cinco foram mantidos em um total isolamento e sem direito à fiança. O julgamento durou sete meses e foi concluído apenas em junho de 2001.

Apesar da enérgica objeção por parte da Defensoria o caso foi a juízo em Miami, Flórida, comunidade com uma longa história de hostilidade frente ao Governo cubano, impedindo que os Cinco recebessem um julgamento justo.

Em dezembro de 2001 e com a participação de um júri no mínimo controverso - dos 11 jurados, oito eram cubanos anticastristas e um era venezuelano e se assumia como opositor do governo Chávez -, veio da Corte Federal de Primeira Instância de Miami (Flórida) a sentença: os antiterroristas foram declarados culpados!

Sob intensa pressão da mídia local - paga pelo governo - e da comunidade cubano-americana, os Cinco foram sentenciados, no total, a quatro prisões perpétuas e 77 anos, penas a serem cumpridas separadamente, em cinco distintas prisões de segurança máxima, localizadas em cinco pontos diferentes do território estadunidense para impossibilitar a sua comunicação.

Gerardo Hernández Nordelo foi condenado a duas prisões perpétuas e 15 anos de prisão; Ramón Labañino Salazar, a uma prisão perpétua e 18 anos; Antonio Guerrero Rodríguez, uma prisão perpétua e 10 anos; Fernando González Llort, 19 anos e René González Sehwerert, 15 anos.

Além de centenas de entidades mundiais a Anistia Internacional denunciou o caráter político da prisão em documento enviado ao Ministério Público dos Estados Unidos, e demonstrou preocupação pela imparcialidade com a qual os antiterroristas foram julgados.

Diante da inflexibilidade do governo dos Estados Unidos e das irregularidades cometidas pela Justiça norte-americana durante o julgamento, foi deflagrada uma campanha internacional pela libertação dos Cinco. Milhares de intelectuais e personalidades do mundo, entre eles 10 Prêmios Nobel, já se manifestaram publicamente aos EUA para protestar contra o caso.

A campanha pela libertação dos “Cinco” - como ainda define René González - que hoje se transforma em um grande líder desta luta - não pode esperar resultados somente por meio de mecanismos legais do sistema judicial dos EUA.

O presidente Nobel da Paz, Barak Obama, pode libertá-los! Basta que utilize as prerrogativas do seu cargo previstas e garantidas pela Constituição do seu País. O caso dos Cinco é um processo político que requer a solidaridade mundial e que, fundamentalmente, precisa envolver massivamente a opinião pública dos Estados Unidos, pois os dirigentes daquele País só se movem politicamente quando a pressão interna acaba de alguma forma fazendo com que se posicionem.

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