Capital socialista tem praças coloniais e casarões revitalizados

Flávia Milhorance

Publicado: 7/05/12

Malecón, bairro de Havana, ao pôr do sol Foto: Flávia Milhorance / O Globo

 

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Na praça da Catedral, turistas aproveitam o sol brando do inverno sentados nas calçadas de pedra Foto: Flávia Milhorance / O GloboHavana sem perder a ternura

HAVANA – Do alto do memorial José Martí, Havana parece ilhada no passado: predominam carros antigos e a arquitetura colonial degradada, sem sequer um arranha-céu. É preciso caminhar pelas vielas para notar a crescente renovação de prédios e praças de Havana Velha, que são revitalizados e oferecem charmosos cafés e restaurantes. Os paladares — negócios privados liberados ano passado — se multiplicam. A cidade de clima convidativo até no inverno é contornada pela Baía de Havana, salpicada por montes e dominada pela planície. Moradores se apropriam intensamente do espaço público: instalam varais e cadeiras nas calçadas; crianças astutas saem às ruas à tarde do colégio, de uniformes branco e vinho, e logo estão pelos campos improvisados de beisebol. No pôr do sol, a orla do Malecón é tomada por pescadores, músicos de salsa e garrafas de rum. Particularmente coloridas são as roupas do havaneiro e o seu sorriso para o turista. Para as lentes de uns, o foco está no heroísmo dos líderes que fincaram a bandeira socialista no paraíso tropical. Para as de outros, a ditadura opressora. Um dos aspectos apaixonantes é que Havana divide opiniões, aflora os sentidos. Só não é possível lhe ser indiferente.

Havana Velha se renova em bares, restaurantes e casarões

Caminhar pelas ruas de Havana Velha é a melhor forma de notar a revitalização da cidade, pois é onde estão casarões e praças recém-restaurados, com empreendimentos estruturados para agradar aos turistas. Bom exemplo disto é a Praça Velha que deveria voltar a chamar-se Praça Nova, como em sua construção, datada de 1559. Patrimônio mundial da Unesco, a praça tem prédios de estilos dos séculos XVII a XIX. No século XVI, era palco para a celebração de festas e atos solenes; no XIX, foi tomada por um mercado. No século XX, viveu o ostracismo após a construção de um estacionamento subterrâneo, mas sua recente revitalização dá notoriedade aos restaurantes e bares.

Já a Praça da Catedral tem duas preciosidades de Havana. Uma, como o próprio nome diz, é a Catedral de San Cristóbal, que nas palavras do romancista cubano Alejo Carpentier, é “música convertida em pedra”, dada sua estrutura de pedra em estilo barroco, erguida no século XVIII por jesuítas, e que se destaca por suas torres assimétricas.

Outra joia é o restaurante El Patio, instalado sob arcos de um palacete também barroco. Muitos dos turistas que visitam a praça ocupam as mesinhas com guarda-sóis do restaurante. Outros, simplesmente sentam nas calçadas para tomar sol, ouvir música, ler ou não fazer nada. Ali, é possível pedir a típica vaca frita, que é um filé de carne bovina, e juntá-lo com moros y cristianos — arroz e feijão preto, já misturados. Os camarões e as lagostas têm preços atraentes para brasileiros. Neste restaurante, o enchilado de lagosta, uma espécie de refogado de molho de tomate e condimentos, custa 14 CUCs (em torno de R$ 27). No entanto, não se anime tanto com a culinária cubana. Para tudo em Havana há o tal enchilado, que consegue pasteurizar até o sabor da nobre lagosta.

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