Crime de Barbados: um grito por justiça!

Após 37 anos do criminoso atentado que explodiu, na Costa de Barbados, um avião da Cubana de Aviação, matando 73 pessoas - 57 delas cubanas, 11 guianenses e cinco funcionários culturais coreanos –, os familiares das vítimas ainda esperam a punição dos responsáveis, muitos que hoje ainda circulam livremente em Miami sob a proteção do governo estadunidense.

*Por Vânia Barbosa 

Foto: Bruna Andrade,Jornalismo B

Carlos Permuy Díaz ao lado de Adriana Pérez (direita), esposa de Gerardo Hernández, um dos 5 heróis cubanos,antiterrorista condenado a duas prisões perpétuas nos EUA.

A história presente do cubano Carlos Permuy Díaz, familiar de uma vítima do atentado ocorrido em Barbados, é um reflexo do que sentiu naquele dia 6 de outubro de 1976, aos 14 anos, quando chegou ao Aeroporto de Havana para receber seu pai que retornava de Caracas, Venezuela, acompanhado, entre outros, de 24 integrantes da equipe juvenil de esgrima de Cuba, participantes de um campeonato Centro-Americano e do Caribe.

Emocionado relatou o horror que sentiu ao receber a notícia do atentado e, posteriormente, da morte de toda a tripulação e dos passageiros do voo 455 sabotado por terroristas, incluindo uma jovem grávida. A partir dali tudo mudou: a percepção da violência cometida contra pessoas inocentes e a destruição do sonho de encontrar seu pai e festejar com milhares de cubanos a totalidade das medalhas de ouro obtidas pelos jovens atletas transformou-se em um pesadelo que até hoje o impede de sorrir e ser o homem que gostaria.

O depoimento de Permuy, que veio ao Brasil participar da XXI Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba, em Foz do Iguaçu, entre os últimos dias 13 à 15 de junho, revela uma história muito particular, envolvendo não apenas a experiência vivida em decorrência da morte de seu pai, mas também a de outros familiares das vítimas do terrorismo em Barbados e os resquícios e sensações ainda presentes diante de um terrível fato ocorrido no passado.

A serviço da CIA e sob as ordens dos terroristas internacionais de origem cubana, Luis Posada Carriles e Orlando Bosch (já falecido), os criminosos venezuelanos Hernán Ricardo e Freddy Lugo infiltraram duas bombas no DC-8 da Cubana de Aviação e se retiraram da aeronave quando esta fez escala em Barbados. A primeira bomba explodiu após 8 minutos da decolagem e no momento em que a equipe festejava o resultado do campeonato. Corajosamente o piloto Wilfredo Pérez decide retornar à Venezuela e inicia uma tentativa desesperada para salvar a vida dos passageiros. Justamente quando a tripulação dominava a situação e se preparava para uma aterrissagem ocorre uma segunda explosão e os corpos destroçados são jogados para o fundo do oceano.

“Dentre as 57 vítimas cubanas apenas quatro tiveram os corpos resgatados por inteiro, incluindo o do meu pai, ressalta Permuy”. “Os demais eram pequenos fragmentos de restos humanos”.

Foto: João Carlos Madeira

 

Carloa Permuy Díaz

“A perda de um pai sempre é terrível”, afirma Carlos. “Especialmente quando temos 14 anos e necessitamos do seu afeto e orientações”. Eu sonho com meu pai desde que morreu e imagino que está ao meu lado. Também recordo a dor de minha irmã e da minha mãe que foi definhando em sua solidão, nunca mais se casou e encerrou sua existência sem voltar a sorrir.

Com fala mansa, mas não resignada, destaca que assim como a maioria dos familiares das vítimas tornou-se uma pessoa introspectiva, e que carrega deste a adolescência a revolta por uma justiça que após 37 anos nunca ocorreu. “Não buscamos a vingança e sim a justiça, e isso é uma condição essencial para nos libertarmos de um passado que não podemos esquecer”, declara Carlos.

A voz de Fidel Castro ecoou para unir os cubanos na dor e condenar o selvagem ato terrorista que sofreu o avião da Cubana de Aviação. “As vítimas do terrorismo são para os cubanos um símbolo de tudo o que é capaz de fazer o terrorismo, com seu ódio e desejo de alcançar seus objetivos”, assegurou “É uma cicatriz que faz parte da história e do sofrimento do nosso povo e um fato doloroso que será transmitido de geração em geração para que possamos seguir adiante em nossa luta por justiça e para combater atos terroristas que ocorram em qualquer parte do mundo”.

Apesar dos sucessivos apelos e denúncias do governo cubano, o massacre de Barbados permanece sendo o resultado impune de uma onda de ataques promovidos pela CIA contra Cuba após a Revolução Cubana.

Ninguém, exceto um grupo de personalidades e instituições amigas, compartilhou a dor dos familiares, do governo e da população da Ilha caribenha. Não houve comoção no mundo, nem graves crises políticas, nem reuniões na ONU, nem iminentes perigos de guerra, a exemplo do atentado de 11 de setembro, ocorrido nos Estados Unidos, em 2001.

* Jornalista e membro da ACJM/RS

Júri da Consciência

Eventos

Publicações

FacebookTwitterLinkedinRSS Feed

Apoiadores

Desenvolvido por Eagle - Tecnologia e Design