“Guantânamo é uma vergonha não só para os EUA, mas para a humanidade”, diz Mujica

Cercado de jornalistas, Mujica dá explicações sobre sua decisão conceder abrigo a presos de Guantânamo.

Foto Agência Efe.

Como contrapartida para receber os “refugiados” no Uruguai, presidente pediu que Washington liberte os três cubanos que ainda estão presos nos EUA.

Via Opera Mundi

Ao confirmar que o Uruguai abrigará cinco presos da base militar de Guantânamo na qualidade de “refugiados”, o presidente José Pepe Mujica disse que a acolhida é uma “questão de direitos humanos”. Após aceitar colaborar com Barack Obama, o mandatário assegurou que a polêmica prisão localizada dentro da ilha de Cuba “tem funcionado como uma verdadeira vergonha para a humanidade e muito mais vergonhoso para um país como os Estados Unidos”.

“O Uruguai tem sido um país de refúgio. Para nós, é uma questão de princípios”, disse Mujica, que, em seus tempos de líder guerrilheiro tupamaro, permaneceu preso pela ditadura uruguaia por 14 anos.

Embora tenha afirmado que não está colaborando por questões financeiras, Mujica pediu como contrapartida que Washington liberte os três presos cubanos que ainda estão sob custódia dos EUA, após terem sido presos, há mais de dez anos, enquanto atuavam como espiões para identificar organizações terroristas anticastristas na Flórida.

“Não fazemos por dinheiro ou conveniência material, mas não temos problema em dizer que pedimos, por favor, ao governo norte-americano que faça o possível, porque esses três prisioneiros cubanos que há muitos anos, muitos anos, estão ali, se busque a maneira de liberá-los. Porque também isso é uma vergonha.”

“Se quiserem formar um lar e trabalhar, que fiquem no país”, explicou, durante seu programa semanal de rádio na emissora local M24 na quinta-feira, dia 20. Segundo Mujica, os presos transferidos teriam de permanecer pelo menos dois anos dentro das fronteiras do país, mas não como uma imposição: “Seria um gesto voluntário deles [presos] para sair dessa situação de vergonha.”

O ministro do Interior uruguaio, Eduardo Bonomi, afirmou em uma entrevista para o diário La Republica que o governo já verificou os antecedentes dos prisioneiros e foi comprovado que “não existe risco ou perigo algum que habilite a implementação de cuidados especiais”. Os prisioneiros seriam de nacionalidade síria e paquistanesa. O ministro também asseverou que Uruguai deverá proteger os futuros refugiados e dar as garantias necessárias que estão previstas nos convênios internacionais.

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