Mais sabe Mujica como guerrilheiro, do que Obama como Prêmio Nobel

Publicado em Segunda, 19 Maio 2014 - Diário da Liberdade

mujica e obama

América Latina - Rebelión - [Patricio Montesinos, Tradução do Diário Liberdade] O presidente do Uruguai, José "Pepe" Mujica, ensinou verdadeiras lições em sua recente visita aos Estados Unidos, especialmente ao chefe do regime de Washington, Barack Obama, que deveria repetí-las todos os dias e pô-las em prática em benefício do seu próprio país e da humanidade.

Entre as aulas magistrais de sabedoria oferecidas pelo honesto e espirituoso Mujica ressaltaram-se as que ofereceu na sede da Organização de Estados Americanos (OEA), nas instalações do Banco Mundial e na própria Casa Branca "face to face" com Obama.

Na OEA, o mandatário uruguaio instou a ter coragem de viver e amar a vida acima de todos os valores e destacou que isso "é preparar o caminho para os que irão nos suceder com honradez intelectual".

Referiu-se à acumulação da riqueza e aos milionários gastos militares que fazem as grandes potências, em clara alusão aos Estados Unidos, o que demonstra que os recursos sobram mas não têm direção. "Não somos capazes de criar uma agenda de problemas universais e considerá-los", precisou.

Em seu diálogo com o inquilino da Casa Branca, afirmou que a primeira e a segunda guerras mundiais foram horrorosos crimes contra os habitantes do planeta terra, uma explícita mensagem a seu interlocutor de que aposte pela paz, ponha fim à sua beligerância e evite um novo e devastador confronto marcial a nível internacional.

Perguntado, em um de seus encontros, sobre a experiência estadunidense para a América Latina na luta antidroga, o ex-guerrilheiro uruguaio, que esclareceu que ainda o segue sendo, respondeu rapidamente que "a América Latina está melhor quando os Estados Unidos não se mete".

Mujica exortou Washington a melhorar suas relações com os diferentes países da Pátria Grande, entre os quais destacou a Venezuela, Brasil e Cuba, e nesse sentido advogou pelo diálogo com o governo de Nicolás Maduro e o término da violência na nação de Hugo Chávez.

Sobre o embargo econômico, financeiro e comercial que os Estados Unidos mantêm contra Cuba há mais de 50 anos, assegurou que é uma "ferramenta com uma enorme capacidade para fazer o povo sofrer" e agregou que é hora de terminar com o bloqueio.

Durante sua estada em território norte-americano, o dignatário uruguaio demonstrou que um guerrilheiro, hoje das ideias, sabe mais por essa condição do que por Prêmio Nobel, o qual foi concedido a Obama, como a outros tantos, por lisonja ou por oportunismo político, e não por verdadeiramente merecê-lo.

O próprio chefe da Casa Branca manifestou recentemente que o citado laurel "é conferido a todos", enquanto representantes norte-americanos admitiram que foi muito prematuro outorgá-lo a seu mandatário.

Agora resta esperar que Obama aprenda as lições de outro grande professor latino-americano como Mujica e as possa materializar, algo que é difícil acreditar, a julgar por suas briguentas atuações cotidianas, sua escassez de inteligência e sua falta de coragem para que a paz prevaleça no agitado mundo atual em que vivemos.

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